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Após uma espera de 54 anos, manuscritos do mar Morto são editados na íntegra

Christiane Galus

A editora Oxford University Press acaba de anunciar nos Estados Unidos a publicação dos últimos volumes dos manuscritos do mar Morto. O conjunto dos 39 volumes, apresentado sob o título geral de "Discoveries in the Judaean Desert" (Descobertas no deserto de Judá), estará completo em janeiro, com o lançamento do último volume, o qual inclui uma introdução geral e um índice remissivo.

Esse anúncio, feito por Emmanuel Tov, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e responsável pela publicação, pode parecer algo sem importância. No entanto, ele encerra uma longa saga arqueológica, iniciada em 1955, com a publicação do primeiro volume desses manuscritos, a maior parte dos quais foi escrita em hebraico entre 250 a.C. e 68 d.C. As peripécias e as delongas que prejudicaram esses trabalhos de leitura e de transcrição durante 46 anos foram qualificadas por Geza Vermés, professor da Universidade de Oxford, de "escândalo acadêmico do século 20".

"Um momento de máxima importância"

"Para os filólogos e os historiadores que trabalham nesses manuscritos, trata-se da conclusão de uma empreitada de marca maior e de um momento de máxima importância. Com essa coleção agora disponível, chegou finalmente o tempo das sínteses", sublinha Francis Schmidt, diretor de estudos na Escola Prática de Estudos Avançados e especialista na história do judaísmo nas épocas helenística e romana.

"De agora em diante, estamos ingressando num novo período de exploração e de comparação dos documentos, uma tarefa que vai exigir sem dúvida várias décadas de trabalho", precisa o especialista Marc Philonenko, membro do Institut de France e decano honorário da faculdade de teologia protestante de Estrasburgo. Com efeito, ele publicou na editora Gallimard (na coleção La Pléiade), em colaboração com André Dupont-Sommer, a primeira tradução em francês de uma parte dos manuscritos do mar Morto, com o título de "La Bible - écrits intertestamentaires" (A Bíblia - escritos sobre o Antigo e o Novo Testamento).

 


Foi em 1947 que o "caso" dos manuscritos do mar Morto começou, perto da localidade de Qumrân, em terra jordaniana, no deserto superaquecido de Judá. Quando estava procurando uma ovelha perdida, um pastor da tribo beduína dos Te'amré, Mohammed Ahmed el-Hamed, conhecido como "o Lobo", descobriu por acaso, dentro de uma caverna situada nas montanhas que dominam o mar Morto, uma série de jarras afiladas, cada uma com cerca de 60 centímetros de cumprimento.

Algumas entre elas ainda tinham sua tampa intacta, em forma de tigela. Numa delas, ele encontrou pacotes embrulhados dentro de panos que continham três rolos de pergaminho, que a sua tribo vendeu posteriormente a um comerciante. Consultados sobre o seu valor, vários especialistas internacionais confirmaram a ancianidade desses documentos, que remontavam a pelo menos um século a.C. Eles constituem, portanto, uma incrível descoberta: a de textos da Bíblia mil anos mais antigos que os documentos que eram conhecidos até então. Após a realização de outras pesquisas, foram encontrados na gruta n° 1 - existem 11 grutas no total, naquele local - um conjunto de sete grandes rolos, que estão entre os mais bem conservados de todos os manuscritos do mar Morto. Em particular, o rolo de Isaías, que mede 7,34 metros de cumprimento. Mais tarde, de 1952 a 1956, por ocasião de escavações sistemáticas realizadas em Qumrân pela Escola Bíblica de Jerusalém, a descoberta de dez outras grutas permitiu trazer à luz do dia cinco outros rolos praticamente intactos - entre os quais o rolo do Templo, de 8,75 metros de cumprimento -, além de incontáveis fragmentos de cerca de 700 textos. A gruta n° 3, por sua vez, continha um misterioso rolo de cobre quebrado em dois, cujo significado ainda não foi esclarecido. Os sete rolos da gruta n° 1 foram publicados dentro de um prazo razoável, alguns anos depois de terem sido estudados por pesquisadores franceses, ingleses e americanos. No decorrer dos anos, os textos fragmentários das outras grutas também foram divulgados, com exceção dos da gruta n° 4, descoberta em 1952 pelo Padre Roland de Vaux, diretor da Escola Bíblica e Arqueológica francesa. Foi por intermédio daquela gruta que veio o escândalo.

Trabalho de uma dificuldade extraordinária

O estado catastrófico desses manuscritos explica em grande parte a lentidão dos trabalhos de decodificação e a demora até a sua publicação. Com efeito, eles são constituídos por 15 mil fragmentos, e até mais, dos quais muitos têm o tamanho de um selo postal. A decodificação desse gigantesco quebra-cabeça representou um trabalho de uma dificuldade extraordinária, dirigido inicialmente por uma pequena equipe internacional de jovens pesquisadores reunida sob auspícios jordanianos.

No começo, "a equipe não incluía nenhum pesquisador judeu; o seu recrutamento foi confiado ao Padre Roland de Vaux. O membro alemão do grupo, Claus Hunzinger, logo se retirou, deixando uma equipe de sete jovens pesquisadores, formada, na maioria, por religiosos católicos que se dedicaram à reconstituição do quebra-cabeça", precisa Hershel Shanks, um especialista americano em arqueologia bíblica, no livro "L'Aventure des manuscrits de la mer Morte" (A Aventura dos manuscritos do mar Morto, publicado pela editora do Seuil).

Perto do final dos anos 50, após um imenso trabalho, a pequena equipe tinha terminado grande parte dos trabalhos de reconstituição dos fragmentos. Os integrantes distribuíram então entre eles os quinhentos textos recenseados com objetivo de organizar a sua publicação. "Ao que tudo indica, eles assumiram uma tarefa que estava muito acima de suas capacidades", explica Hershel Shanks. Durante as três décadas seguintes, essa equipe conseguiu publicar menos de um centésimo dos quinhentos textos. Apesar dessa demora, os pesquisadores da equipe, determinados em preservar os seus direitos de publicação, proibiram o acesso aos seus documentos a outros cientistas. Nesse intervalo, com o advento da guerra de Seis Dias, em 1967, vencida por Israel, o direito de controle dos manuscritos havia passado para a autoridade israelense. As restrições da equipe da Escola Bíblica também acabaram esgotando a paciência dos orientalistas estrangeiros que não conseguiam aceder a esse tesouro. Alguns rumores afirmando que o Vaticano estaria criando obstáculos em relação às pesquisas para evitar a publicação de revelações embaraçosas no que diz respeito à origem do cristianismo começaram a propagar-se.

"Não acredito nem um pouco na veracidade desses boatos!", exclama Francis Schmidt. "Entretanto, é verdade que entre 1950 e 1955, a descoberta dos manuscritos provocou um verdadeiro terremoto, uma vez que certos teólogos tradicionalistas viram nesses textos um perigo para o dogma. Naquela época, nada garante que os exegetas tenham beneficiado de toda a liberdade para expressar seus pontos de vista."

A revista especializada americana "Biblical Archaelogy Review", dirigida por Hershel Shanks, iniciou então uma campanha virulenta para "libertar" os manuscritos do mar Morto e torná-los acessíveis a todos. John Strugnell, um cientista americano de Harvard que foi nomeado responsável pelas pesquisas sobre os manuscritos em 1987, ampliou então a equipe, contratando pela primeira vez pesquisadores judeus e israelenses. Na mesma época, o Ofício das Antiguidades de Israel começou a reivindicar os seus direitos em relação à publicação dos manuscritos.

No final de 1990, John Strugnell deu uma entrevista ao jornal hebreu "Haaretz", na qual ele se declarou profundamente "antijudaico". Em decorrência do escândalo provocado por essa afirmação, ele foi despedido e substituído por Emmanuel Tov, um professor da Universidade Hebraica. "Quando Emmanuel Tov substituiu John Strugnell, essa mudança resultou indiscutivelmente numa aceleração dos trabalhos", precisa Marc Philonenko. Apesar de algumas peripécias, Emmanuel Tov, assessorado por uma centena de pesquisadores, terminou no espaço de uma década a publicação dos manuscritos do mar Morto. Os últimos entre os 28 volumes dedicados a essa obra acabam de ser editados "após 54 anos de excitação, de espera e de tribulações".

"Discoveries in the Judaean Desert", Oxford University (http://www.oup.co.uk) está disponível na livraria La Procure em Paris ao preço de cerca de 28.000 francos (cerca de R$ 8.750). Cada volume comporta a edição do texto em hebraico ou em aramaico, mais a tradução em francês ou em inglês e ainda as fotos dos rolos. Vale notar também o lançamento do livro "Les Manuscrits de la mer Morte", de Michael Wise, Martin Abegg e Edward Cook, publicado pela editora Plon, na sua edição traduzida do inglês para o francês. Preço: 190,22 francos (R$ 59,44).

Tradução: Jean-Yves de Neufville

Fonte: Le Monde / UOL

 

 

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